16
nov 2017
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Data :10 de novembro de 2017

Local: Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC, Rua Admar Gonzaga, 2765, Bairro Itacorubi, Florianópolis.

Introdução ao evento

O primeiro Simpósio BIO.COM BRASIL ocorreu em 12 e 13 de novembro de 2015. O evento enfocou aspectos de tecnologia e negócios e, como resultado, realizou-se visitas e discussões com os atores nas diversas regiões do estado de SC visando detectar as características e demandas regionais. O segundo Simpósio ocorreu em 25 de novembro de 2016. Naquele simpósio, amadurecendo as percepções do primeiro, objetivou-se identificar as demandas do setor nos cenários tecnológico, de infraestrutura, e legal. Nessa edição de 2017, avançou-se além das anteriores, ao analisar as conexões da biomassa energética no cenário das energias renováveis e da geração distribuída. Esse evento teve como pano de fundo o fortalecimento e desenvolvimento da matriz energética brasileira através da integração inteligente e racional entre a geração distribuída utilizando as fontes renováveis e os padrões de consumo industrial e urbano regionais, assegurando a satisfação dos consumidores e a sustentabilidade dos negócios e do meio ambiente.

A sistemática adotada envolveu duas palestras de abertura, evidenciando aspectos internacionais da geração de energia com fontes renováveis e a viabilidade de projetos desenvolvidos na forma de Parcerias Público Privadas. Após as palestras, a primeira seção de trabalho, abordou o potencial de geração com as fontes renováveis, o potencial do uso de biomassa processada na forma de pellets e o mercado e potencial da geração distribuída de eletricidade. Na segunda seção foram apresentados alguns casos de aplicação de geração distribuída com renováveis, enfocando a geração residencial e comercial fotovoltaica, o gerenciamento em micro-rede da geração de eletricidade, a geração com biomassa de casca de arroz, equipamentos para geração com resíduos agrícolas e biomassa florestal e o associativismo na solução de problemas na área de energia. A terceira seção, visou aprofundar a discussão dos desafios para o desenvolvimento de projetos e negócios, entre os quais, a regulação de mercado, a previsibilidade de contratos e a garantia de fornecimento de biomassa na realidade brasileira.

O evento teve um forte conteúdo técnico e forte interação entre os participantes. Contou com a participação de 13 especialistas convidados e cerca de 60 participantes entre membros da academia, indústria e setor público. Ao final dos debates, a percepção dos palestrantes e participantes foi condensada na forma de diretrizes, as quais foram descritas em uma Carta de Intenções, com o objetivo de nortear as ações para o período 2017-2018.

Abertura

A cerimônia de abertura do evento ocorreu as 9 horas. O Prof. Amir fez uma rápida retrospectiva dos eventos anteriores e passou aos agradecimentos aos apoiadores do evento: a FAPESC, em especial, o Prof. Sérgio Luiz Gargioni, Presidente, Cesar Zucco, Diretor de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação, e Maria Zilene Cardoso, Cordenadora do PROEVENTOS, à FIESC, em especial aos Srs. Glauco José Corte Presidente, Otmar Josef Müller, Presidente da Câmara de Assuntos de Energia, Carlos Henrique Ramos da Fonseca, Diretor de Desenvolvimento Institucional e Industrial e Carlos Roberto de Farias, Diretor de Marketing e Relacionamento com o Mercado, à UFSC, em especial ao Prof. Sebastião Roberto Soares, Pró-Reitor de Pesquisa, Rogério Cid Bastos, Pró-Reitor de Extensão, Graziela De Luca Canto, Pró-Reitora Adjunta de Extensão, Edison de Pieri, Diretor do Centro Tecnológico, Edson Bazzo, Chefe do Departamento de Engenharia Mecânica, ao BRDE, SUTIL Máquinas, SOLUMAD, BIOFAIR, MME, UDESC, CERTI, CELESC, ACATE, ABGD, COGEN, Koblitz, COSAN, NAVIGATIO, SPIn, Sistechne e Cabanellos Schuh Advogados Associados, que apoiaram, tanto diretamente como ao autorizar a participação de seus associados nesse evento.

A seguir, foi formada a mesa de abertura, composta pela Sra. Marli Luísa Juárez y Sales, Diretora Executiva do IBIOM e Presidente da BIOFAIR Gestão Estratégica Sustentável, organizadora do evento, pela Sra. Iara Dreger, Coordenadora do Energias Renováveis da FAPESC, representando o Sr. Sergio Luis Gargioni, Presidente da FAPESC – Fundação de Amparo a Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina, apoiadora do evento, pelo Prof. Sebastião Roberto Soares, Pró Reitor de Pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, instituição co-organizadora do evento e pelo Sr. Natalino Uggioni, Superintendente do Instituto Euvaldo Lodi de Santa Catarina – IEL/SC, representando o anfitrião do evento, o Sr. Glauco José Corte, Presidente da FIESC. As falas de abertura ressaltaram a importância da formação de uma matriz energética sustentável baseada em energias renováveis, da característica cíclica que pode ser desenvolvida no setor de energia, entre os insumos energéticos básicos, a sua conversão e a reciclagem dos subprodutos, dos compromissos das instituições representadas em promover o desenvolvimento da ciência, tecnologia, inovação e o desenvolvimento da indústria catarinense nessa área e nas áreas correlatas, repercutindo, em última análise, em aumento da competitividade do estado, da qualidade de vida e oportunidades econômicas para a população, assegurada a qualidade do meio ambiente.

Palestras

Após a abertura, as 9h30 passamos para as duas palestras especiais que enfocaram as características dos cenários internacional e nacional na geração de energia com o uso de fontes renováveis, ressaltando os aspectos de desenvolvimento de novos projetos em geração distribuída e a viabilidade de projetos desenvolvidos na forma de Parcerias Público Privadas – as PPP´s.

A palestra de Markus Lehman teve como título A Dinamarca em seus objetivos de tornar-se neutra em carbono até 2050. Markus é administrador de empresas, Conselheiro da IFU Brazil, Presidente da NAVIGATIO Strategic Global Wealth Capital Management – Creating wealth through knowledge. Ao longo de 20 anos tem trabalhado no desenvolvimento de mercados emergentes, principalmente assessorando empresas órgãos públicos dinamarqueses como o Danish Consulate em São Paulo, Danstoker, Thermax, Kirloskar, Gadre, Shell, Petrobras, Statoil, Maersk, British School (Brazil), Red Bull, entre outros. É também membro do conselho de curadores da IASEA – Emotional Intelligence for Social, Environmental gain.

Excluindo a Groenlândia, a parte europeia da Dinamarca tem aproximadamente a metade da área do estado de Santa Catarina, 80 % do número de habitantes e um PIB 5 vezes maior. Markus ressaltou as características especiais da Dinamarca no que tange à energia, caracterizada pela utilização racional das fontes de energia disponíveis e pelas apostas corajosas nas projeções futuras. As operações de duas empresas, uma pública e outra privada, ilustram a direção que segue o mercado de energia na Dinamarca.

Ao passar pela crise do petróleo na década de 70, o governo da Dinamarca criou a DONG Energy, empresa estatal dedicada inicialmente à exploração de petróleo e gás natural no Mar do Norte e que expandiu na década de 2000 para a geração de eletricidade, principalmente no setor eólico, tornando-se a detentora do maior parque eólico offshore do mundo. Nesse ano de 2017, a companhia decidiu eliminar progressivamente a geração de eletricidade com carvão, vendeu todas as operações em petróleo e gás e mudou o nome para Ørsted. A companhia privada Maersk, fundada em 1904, também iniciou operações extraindo petróleo do Mar do Norte em 1962. Essa operação expandiu para vários locais no mundo e chegou a representar 68 % dos lucros da empresa em 2008. Em 2017, a empresa anunciou a venda de todos os ativos em petróleo e gás para a Total. Essas duas operações marcam fortemente o compromisso da Dinamarca de se tornar carbono neutra na geração de energia em 2035 e se tornar carbono positiva em 2050, ao se tornar totalmente independente do consumo de combustíveis fósseis. Essa política é denominada State of Green e visa, entre outros objetivos, o crescimento econômico sustentável com segurança no suprimento de energia e água.

Markus mostrou os números atuais do mercado de energia na Dinamarca e as projeções para as próximas décadas nas áreas de eficiência energética, aquecimento e refrigeração, geração eólica, solar, bioenergia, gerenciamento inteligente de energia, água, adaptação climática, meio ambiente e sustentabilidade no transporte. As principais fontes de energia renovável na Dinamarca são biomassa, vento e biogás. No setor de biomassa energética, a Dinamarca multiplicou por 4 a produção de energia térmica e elétrica a partir de biomassa entre 1980 e 2009. Atualmente, a biomassa na forma de pellets, palha, cavacos de madeira e resíduos de agricultura, tanto como combustível sólido ou biogás, é responsável por 70 % da produção de energia renovável (em todos os setores, incluindo térmica e elétrica). No planejamento vigente, após 2021, a biomassa deverá permanecer preponderante na geração de energia térmica (em todos os setores) mas será superada na produção de eletricidade pela produção eólica. A Dinamarca possui atualmente 4800 turbinas eólicas, distribuídas por 80 % dos municípios, possuindo uma grande rede de desenvolvedores de tecnologia, empresas de equipamentos, testes, instalações e serviços, tornando-se o local de escolha para a implantação dos centros de R&D das empresas mundiais no setor eólico. A energias solar e geotérmica complementam o fornecimento local de energia, tendo a energia geotérmica um potencial equivalente entre 20 a 30 % da demanda de aquecimento distrital. Markus ainda abordou o potencial de investimento no Brasil e o potencial brasileiro como fornecedor de bioenergia.

A segunda palestra foi proferida por Vitor Amuri Antunes e teve como título Panorama Mundial da Energia renovável nas Cidades Inteligentes – Smart Cities, e o desenvolvimento de projetos baseados em PPP´s . Vitor é advogado, Fundador da SPIn Soluções Públicas Inteligentes e autor do livro “Parcerias Público-Privadas para Smart Cities”, cuja segunda edição foi lançada em maio de 2017. Atua nos aspectos técnicos, econômicos e jurídicos do modelo de gestão de serviços públicos municipais, entendendo que as parcerias público privadas são um excelente instrumento de desenvolvimento de soluções smart-cities para os municípios brasileiros.

Vitor iniciou sua apresentação desenvolvendo o conceito de smart-city e mostrando as várias possibilidades de aumento de conteúdo tecnológico nos serviços municipais. Mencionou as ações da SPIn, da Frente Parlamentar de Apoio às Cidades Inteligentes, das normativas em desenvolvimento visando a implantação de Parcerias Público-Privadas – PPP´s para smart-cities e do Projeto de Ambiente Demonstrativo de Smart Cities em desenvolvimento pelo INMETRO e ABDI. Ressaltou que a aproximação do setor público ás tecnologias empregadas no setor privado aumentariam a transferência de tecnologia para o setor público. Passou a descrever o modelo de PPP´s, ressaltando a importância de indicadores objetivos e da segurança jurídica e como o modelo se aplica ao conceito de município gerador de energia. Finalmente, ilustrou exemplos de como as PPP´s podem ser utilizadas para o gerenciamento de resíduos urbanos associado à geração de energia, iluminação púbica associada a energia solar, discutiu os prazos necessários para a implantação de projetos em PPP´s e apresentou oportunidades para o mercado brasileiro.

Mesa redonda 1

A seguir, passou-se para o segundo bloco do evento, com a mesa redonda abordando Geração e cogeração com fontes renováveis – Oportunidades e mercado.

Essa mesa redonda foi formada por Luiz Otavio Koblitz, fundador da Koblitz Energia Ltda. e presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa – ABRAGEL, Christian Furlan, Gerente Comercial e de Novos Negócios da COSAN Biomassa – Sumitomo Corporation, e Carlos Alexandre Frosini Evangelista, Presidente da ABGD – Associação Brasileira de Geração Distribuída.

Os membros da mesa proferiram palestras enfocaram a disponibilidade e condições para formação de florestas energéticas, o possível impacto dessa fonte na matriz energética brasileira, o mercado e o potencial da biomassa processada na forma de pellet e o mercado e potencial da geração distribuída de eletricidade. Por meio das apresentações, verificou-se as conexões entre as possibilidades oferecidas pelo mercado de geração distribuída e a possibilidade de crescimento do uso de renováveis na geração de energia.

Luiz Koblitz, na sua palestra intitulada Florestas Energéticas na Matriz Energética Brasileira, iniciou mostrando a distinção entre projetos de geração estruturantes, complementares e emergenciais. Mencionou a preponderância de geração de eletricidade por hidrelétricas entre os projetos estruturantes, mencionando ainda a geração nuclear existente no Brasil, e forneceu a capacidade instalada e a geração por esses empreendimentos. Passou a abordar a geração complementar, ressaltando as possibilidades em biomassa, em pequenas centrais hidrelétricas (PCH) e usinas hidrelétricas (UHE) (entre 30 MW e 50 MW), eólicas e solares acompanhadas por armazenamento de energia, cogeração com gás natural e a geração com resíduos urbanos, prioritariamente enfocada na solução do problema ambiental. Então, abordou que a geração emergencial com óleo combustível, óleo diesel e com gás natural em turbinas aeroderivadas deve fundamentalmente permanecer emergencial, e não ocupar o papel da geração complementar. Passou então a abordar o cenário da geração e transmissão de eletricidade no Brasil, ressaltando a existência de 10 % de perda de energia no sistema interligado, excluindo as perdas técnicas de 5 %. Comparou com a média mundial de perda de 6,5 % e com o cenário nos países nos extremos das maiores e menores perdas de energia no mundo. Por fim, analisou as possibilidades de expansão da geração estruturante e complementar, com relação ao potencial das fontes PCH e biomassa, solar distribuída, UHE, eólica e solar em parques e GN com gás de origem nacional. Ressaltou o potencial da biomassa energética florestal apontando que o Brasil possui 8 milhões de metros quadrados de florestas com potencial energético, 25 % subutilizadas. Apontou que o cultivo de florestas energéticas em 2,2 % do território nacional seria suficiente para a satisfação da demanda elétrica nacional na atualidade. Finalmente, discutiu as oportunidades de mercado para plantas de 50 MW implantadas a um custo aproximado de 6000 R$ / MW e como possibilidade de produção de eletricidade a um custo aproximado de 350 R$ / MWh, e propôs um conjunto de medidas para a sustentabilidade da matriz energética nacional.

Christian Furlan proferiu a palestra O mercado brasileiro de pellet, iniciando por uma descrição histórica do interesse na criação da Cosan Biomassa. Abordou a dinâmica do Preço de Liquidação das Diferenças – PLD, utilizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE para encontrar a solução ótima entre o benefício presente da utilização da água nos reservatórios para a produção de eletricidade, economizando no custo de geração termelétrica, ou de armazenamento de água nos reservatórios, utilizando as termelétricas no presente, mas diminuindo os riscos futuros. Ressaltou que o modelo de PLD no mercado livre não favorece a utilização da palha de cana na geração de eletricidade, o que conduziu a Cosan Biomassa á utilização da palha de cana como matéria prima para a produção de pellets. Passou a explorar o mercado interno e internacional de pellets visando o uso em termelétricas, principalmente na Inglaterra, Dinamarca e Holanda, na indústria, para a geração de vapor e cogeração, como aditivo para regular a umidade de biomassas e resíduos, no aquecimento residencial, principalmente na Itália e Espanha, no comércio e pequenas empresas, incluindo pizzarias, aviários, etc., e na utilização como cama e fibra vegetal. Finalizou mostrando alguns empreendimentos nacionais e algumas das oportunidades. Ressaltou que a demanda mundial atinge 13 milhões de toneladas para eletricidade e 18 milhões de toneladas para aquecimento doméstico com um potencial de crescimento de 120 % até 2020.

Carlos Evangelista apresentou palestra sobre Geração Distribuída. Carlos iniciou ressaltando que o desenvolvimento sustentável do mercado de GD requer tecnologia, regulamentação e demanda. Então, passou a abordar as vantagens da GD quando comparada com a geração centralizada e as características do cenário brasileiro que levaram a uma expansão recente do mercado de GD e a um grande potencial futuro de expansão nesse setor. Revisou os aspectos relacionados às Resoluções 482 de 2012 e 687 de 2015 da ANEEL e os recentes leilões de energia. Em consonância com as resoluções, apresentou o conceito de net metering e apontou a possibilidade atual de que todo consumidor possa gerar eletricidade, mesmo longe da unidade consumidora, desde que no âmbito da mesma empresa de distribuição. Apontou o potencial de geração de empregos nesse setor no mundo. Mostrou o panorama brasileiro e catarinense de GD, como 16617 sistemas operando no Brasil em 2017, sendo em santa Catarina 74 % da potência instalada em energia solar fotovoltaica e 12 % em biomassa energética, representando 59 % da energia injetada na rede em solar fotovoltaica e 18 % em biomassa, das as diferenças em disponibilidades. Finalmente, comentou as características regionais brasileiras em termos de benefícios e o tempo de retorno médio dos investimentos.

Após as apresentações, passou-se ao debate com o público por meio de perguntas direcionadas aos membros da mesa. As perguntas da plateia abordaram o impacto da desoneração de ICMS no mercado de GD, as características dos contratos de fornecimento de biomassa para energia, a possibilidade de estabelecimento de critérios de qualidade da biomassa, a formação de preços no mercado de pellets, por exemplo, com a valoração do custo de oportunidade do uso da terra utilizada para a produção de biomassa, a organização do setor e os modelos de negócios, a possibilidade de produção de pellets de outras biomassas como caca de arroz, a expansão possível nos leilões de energia de biomassa e a possibilidade de concretização da expansão prevista para os mercados brasileiro e europeu.

No retorno do almoço, passou-se a apresentação de casos de aplicação.

Apresentação de casos de aplicação

Nessa seção, foram apresentados alguns casos de aplicação de tecnologia, oportunidades de aumento de eficiência e sustentabilidade e oportunidades de inovação na geração de energia renovável. O objetivo foi mostrar um grupo de aplicações que mostram uma diversidade de possibilidades entre a geração residencial e comercial de energia solar fotovoltaica, o gerenciamento em micro-rede da geração de eletricidade, os equipamentos para geração com resíduos agrícolas e biomassa florestal e a possibilidade de desenvolvimento de novos negócios na área de energia.

A mesa foi formada por Márcio Lautert, Gerente do Projeto Bonus Fotovoltaico da CELESC, Cesare Quinteiro Pica, Diretor do Centro de Energia Sustentável da Fundação CERTI, Marlo Luiz Pscheidt, Gerente Comercial da Sistechne Intertechne, Leandro Sutil, Diretor da Sutil Máquinas e Ricardo Grassmann, Diretor da Vertical de Energia da ACATE.

Márcio Lautert, da CELESC, proferiu palestra sobre o Bônus fotovoltaico. Iniciou mostrando o montante de recursos financeiros aplicados pela ANEEL em pesquisa e desenvolvimento. Mencionou que o Programa de Eficiência Energética da CELESC, iniciado em 1999, já concluiu 126 projetos alcançando 1420 GWh de economia de energia. O projeto Bônus Fotovoltaico visa a redução do consumo de energia residencial e o consumo no horário de ponta. O projeto previa a instalação de 1000 sistemas em SC a partir do investimento de 11 milhões de reais da CELESC e 6,7 milhões de reais em contrapartidas dos consumidores. Márcio descreveu as características desejadas para os sistemas fotovoltaicos e o histórico de implantação do projeto. Mencionou que a dificuldade de obter informações precisas tem sido uma barreira na implantação de projetos de energia renovável, citando como exemplo, a instalação de sistemas fotovoltaicos. Mencionou também que a partir da divulgação realizada pela CELESC e da presença de parceiros considerados confiáveis pelo público, o sucesso na implantação foi maior que o esperado. Após a abertura das inscrições, planejadas para permanecerem ativas por 30 dias, o projeto recebeu mais de 12000 pedidos de participação no programa após apenas 5 dias. Ele concluiu a palestra citando os resultados esperados e os possíveis desdobramentos desse programa.

Cesare Quinteiro Pica, da Fundação CERTI, apresentou palestra sobre Microredes inteligentes: tecnologias e mercado. Césare descreveu o conceito de microredes inteligentes, abordando uma descrição básica da sua operação e possíveis aplicações. Continuou descrevendo o potencial de investimento mundial em microredes inteligentes e seguiu descrevendo dois exemplos. O exemplo de aplicação na Universidade da Califórnia em São Diego, UCSD, integra uma planta de cogeração a gás natural para 30 MW de eletricidade, gerando também energia térmica para aquecimento e água gelada para condicionamento de ar, 2,8 MW elétricos com células a combustível operando com gás natural, 1,3 MW elétricos em sistema solar fotovoltaico e o armazenamento de energia necessário, incluindo o armazenamento de água gelada. Atualmente, o sistema supre 90 % da necessidade elétrica do campus, 95 % do aquecimento e 95 % do resfriamento dos ambientes. Césare concluiu a palestra discutindo oportunidades de utilização de redes inteligentes para os setores comercial e industrial, incluindo condomínios e sistemas isolados.

Marlo Luiz Pscheidt da Sistechne apresentou sobre Geração de energia elétrica a partir de casca de arroz e adesão a GD – Conversão de um problema ambiental em fonte de energia. Marlo iniciou a apresentação revendo as modalidades de geração distribuída previstas pela ANEEL: próxima à carga, em condomínios, como autoconsumo remoto e como geração distribuída compartilhada. Mencionou que o autoconsumo remoto aplica-se a uma rede composta de matriz e filiais todos ligados à mesma empresa de distribuição. Alternativamente, a geração distribuída compartilhada permite a geração por um consórcio de empresas que podem incluir negócios de diferentes naturezas. Embora menos utilizada, essa modalidade apresenta grande potencial. A palestra continuou com a descrição dos investimentos da empresa em biogas de aterro sanitário e casca de arroz. A palestra foi concluída listando os desafios relacionados à tributação e licenciamento ambiental.

Leandro Sutil, da Sutil Máquinas, apresentou palestra sobre Equipamentos e processos de combustão de biomassa sólida. Leandro enfocou em desenvolvimentos tecnológicos aplicados. Apresentou exemplos de equipamentos e aplicações que utilizam pellets como fonte de energia térmica. Os exemplos descreveram queimadores, caldeiras e secadores, para os setores do agronegócio, infraestrutura, comercial e residencial. Finalizou apresentando os equipamentos de processamento para obtenção de pellets.

Ricardo Grassmann, da Vertical Energia da Acate, apresentou palestra sobre Como empresas trabalhando em cooperação podem inovar no setor elétrico. Ricardo iniciou descrevendo que o ecossistema tecnológico catarinense é responsável por 5,3 % da economia do estado (dados de 2015). Em Florianópolis, o faturamento do setor de tecnologia excede em 4 vezes o faturamento do setor de turismo e gera o dobro de receita que o setor de turismo. A ACATE é uma organização de empresários que buscam a solução de problemas do mercado através do associativismo. Criada em 1986, possui atualmente 11 polos regionais em Santa Catarina. As verticais de negócios, como a vertical de energia, reúnem empresas que operam em mercados semelhantes e complementares. As empresas buscam entender a oferta de valor para cada segmento e entregar uma solução que integra os vários aspectos da resposta. Ricardo concluiu a palestra indicando as oportunidades de atuação junto com a ACATE.

A seção foi concluída para a realização do coffee-break.

Seção de pôsteres

O coffee-break foi acompanhado pela apresentação de trabalhos desenvolvidos em âmbito regional na forma de pôsteres. Os seguintes trabalhos foram expostos:

 

Secagem de biomassa com Energia Solar no pré tratamento da peletização.

Ricardo Gutiérrez e Cindy Estrada, Ampliação do acervo de experiências interativas do projeto “Observar e Experimentar” – Implementação de energias alternativas. Organização Instrumentos Astronômicos, Produtos e Serviços.

Produção de pellets para energia utilizando diferentes residuso de biomassa agrícolas e florestais

Rodolfo Cardoso Jacinto, Martha Andréia Brand – Universidade do Estado de Santa Catarina UDESC

 

Após o coffee-break passou-se à mesa redonda final.

Mesa redonda 2

O quarto e último bloco do evento abordou Legislação, incentivos e políticas para promover o mercado de energia de biomassa.

A mesa for formada por Moacir Carlos Bertol, Secretario Adjunto de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (SPE/MME), Newton Jose Leme Duarte, Presidente da Associação da Indústria de Cogeração de Energia – COGEN, e Flavio José Simioni, Professor do Departamento de Engenharia Ambiental e Sanitária do Centro de Agronomia e Veterinária – CAV da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC.

Os membros da mesa apresentaram suas palestras visando aprofundar a discussão sobre o planejamento da geração e a regulação do mercado, as oportunidades em cogeração de energa e a garantia de fornecimento de biomassa na realidade brasileira e catarinense.

Moacir Bertol, do MME, apresentou palestra sobre o Planejamento energético e o plano decenal de expansão de energia. Moacir apresentou uma detalhada exposição dos indicadores de geração e consumo de energia no Brasil. passou então a apresentar o plano decenal de expansão de energia – PDE para o período 2016-2026. O PDE estabelece um plano de obras que é materializado através dos leilões. O plano foi idealizado assumindo um crescimento no consumo de energia de 2 % ao ano, crescimento populacional de 0,61 % ao ano e crescimento do PIB per capita de 1,8 % ao ano. O planejamento prevê o crescimento da parcela de participação da cana de açúcar na matriz energética de 17,5 % para 19,1 % e o decrescimento da participação de lenha e carvão vegetal de 8,0 % para 7,3 %. Analogamente, o petróleo decresce de 36,5 % para 31,3 %, o carvão mineral de 5,5 % para 5,3 % e o gás natural de 12,3 % para 12,0 %. Nesse período, a participação de renováveis na geração de eletricidade no Brasil deve crescer de 81,7 % para 86,9 %. A apresentação detalhou os valores de capacidade instalada para a expansão da geração por cada fonte de energia e os montantes de investimentos necessários para a expansão do setor. Moacir concluiu com uma visão dos leilões que devem ainda ocorrer em 2017.

Newton Duarte da COGEN proferiu palestra sobre Os desafios da cogeração. Ele iniciou mencionando que a geração distribuída deve receber um acréscimo de capacidade instalada mundial da ordem de 3000 GW em 10 anos, sendo 30 % na China, utilizando principalmente gás natural, biogás, biomassa e solar. Mencionou o papel da COGEN em promover a oferta de GD com ênfase na cogeração. Continuou ressaltando que a biomassa permite uma melhor regularização dos reservatórios devido ao seu caráter de previsibilidade. Passou a apresentar um estudo da COGEN que sugere que a geração com bagaço precisa de remuneração a 356 R$/MWh enquanto que a geração com cavaco de madeira precisa de 443 R$/MWh. Mencionou o programa RenovaBio do MME, criado como uma política de estado estratégica para utilização dos biocombustíveis na matriz energética visando segurança energética e redução da emissão de CO2 de fontes fósseis. O programa foi apresentado no congresso como Projeto de Lei em 14/11/2017. mencionou também as tecnologias de geração de biogás a partir da vinhaça de etanol e a injeção de gases quentes oriundos de ciclo Brayton a gás natural no ciclo Rankine utilizado na geração com bagaço de cana. Finalmente, elencou um conjunto de desafios para a expansão do setor relacionadas com: a Consulta Pública no. 33 do MME, encerrada em agosto, que visava a consulta sobre medidas que alteram o modelo a partir de 2018, a definição do valor anual de referência (VR-ES) do mercado regulado para a biomassa, o aprimoramento da regulação de 30 MW a 50 MW, a revisão da metodologia de cálculo da garantia física (GF) da biomassa, a falta de perenidade nos leilões da ANEEL e a recuperação da indústria de equipamentos.

Flávio Simioni, da UDESC, proferiu palestra sobre a Cadeia de abastecimento de biomassa no Brasil. A biomassa florestal forma uma cadeia de valor que parte da floresta energética. Flávio então descreveu a metodologia e resultados de um estudo de mapeamento da produção de lenha no Brasil. Esse estudo determinou os centros de gravidade de cada região e as distâncias médias entre os centros produtores. Então, ele passou a descrever os resultados de estudos detalhados realizados em três regiões produtoras, a região de produção de lenha de Itapera em SP e Santa Cruz do Sul no RS e a região de produção de carvão vegetal na região central de MG. O impacto dos custos de transporte da biomassa na geração foi analisado através da análise de risco relacionada com os raios de abastecimento de 20, 30 e 40 km e também foi avaliado um índice de impacto sócio-ambiental da biomassa. As características particulares de cada região foram notadas, como o maior adensamento florestal no sul, e a maior tecnologia, escala e mecanização aplicada em MG. A apresentação concluiu com a oportunidade de ampliação do estudo para as fronteiras de expansão das florestas.

Após as apresentações, passou-se ao debate com os membros da mesa. O debate abordou os desafios da ampliação da geração com biomassa, da avaliação da quantidade de biomassa disponível no mercado brasileiro, na necessidade de valores de referência realistas e garantias em contratos de fornecimento.

Fechamento do evento

Os principais desafios abordados nas apresentações e debates ao longo do dia permitiram a redação de diretrizes de ações no setor. Essas diretrizes foram condensadas em um documento denominado Carta de Intenções, que se torna uma síntese das percepções de todos os participantes. As diretrizes identificadas foram:

  1. Fomento à realização de leilões de energia derivada de biomassa;
  2. Fomento de programa de bens de capital para a substituição de combustíveis fósseis e aumento de eficiência;
  3. Fomento e assessoria para a regulação;
  4. Fomento de auxílio aos Municípios para a formulação de Planos Municipais de Gestão de Resíduos sólidos.

Essas diretrizes nortearão as ações do IBIOM para o período 2017-2018 e serão aperfeiçoadas com a participação de empresas, representantes de instituições publicas e privadas, pesquisadores e demais interessados.

O evento foi concluído e solicitou-se de cada participante a redação de um texto de avaliação.

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